quinta-feira, 27 de novembro de 2008

MPF investiga risco de amianto em cidade do interior da BA

MPF investiga risco de amianto em cidade do interior da BA

Jornal da Band
27 nov. 2008

O Ministério Público Federal investiga o risco do amianto para a população inteira de uma cidade no interior da Bahia. O mineral considerado cancerígeno já foi banido de 49 países. Mas no Brasil, não.

Assista vídeo na íntegra aqui:
Disponível em: <http://bandnewstv.band.com.br/conteudo.asp?ID=115881&CNL=20>.
Acesso em: 27 nov. 2008

Postado por Elizabeth Santos

domingo, 23 de novembro de 2008

Curitiba está entre as mais sustentáveis do mundo!

Curitiba faz parte de um grupo de dez cidades que podem se tornar centros de sustentabilidade global até 2020. É o que aponta a revista Ethisphere, edição de setembro.
A publicação do instituto norte-americano que leva o mesmo nome avaliou quais as cidades de todo o mundo que possuem planos de sustentabilidade e selecionou as melhores práticas. Curitiba é a única cidade da América do Sul citada no estudo. "É mais um estudo internacional que comprova a qualidade de vida e a capacidade de desenvolvimento sustentável de Curitiba", diz o prefeito Beto Richa.
Como a capital paranaense, Toronto (Canadá), Cingapura (Cingapura), Londres (Inglaterra), Frankfurt (Alemanha), Melbourne (Austrália), Nova Iorque (EUA), Abu Dhabi (Emirados Árabes), Cidade do Cabo (África do Sul) e Hyderabad (Índia) são apontadas como possíveis modelos de sustentabilidade. São cidades preocupadas com o desenvolvimento econômico presente, sem colocar em risco os recursos necessários para as gerações futuras. "São centros que não estão esperando o que pode acontecer e sim agarrando as questões com as próprias mãos e começando a agir", diz a revista.
Entre as questões avaliadas, Curitiba se destacou das demais cidades avaliadas obtendo as melhores notas nos quesitos "Inovação e Investimentos" e "Transporte e Habitação", obtendo nota 9.8, e "Plano Ambiental e Progresso", com nota 9.6. A pontuação máxima era 10.
O estudo avaliou ainda os itens Saúde e Recreação, Educação, Arte e Cultura, Economia e Desenvolvimento de Negócios, Regulamentação, Aplicação da Lei e Transparência e Mídia e Discurso.
A revista aponta como "exclusivo" o sistema de transporte público de Curitiba por atender toda a cidade e ser usado por 85% da população. O programa habitacional que oferece moradia a preços acessíveis para a população de baixa renda também coloca a cidade em destaque quando o assunto é o atendimento às necessidades dos cidadãos, por meio de planos sustentáveis.
O estudo do Instituto Ethisphere, que se dedica à pesquisa, criação e divulgação das melhores práticas desenvolvidas nas áreas da ética e governança corporativa, destaca que o planejamento de Curitiba para o desenvolvimento sustentável ocorre desde a década de 60. Segundo o levantamento, em muitos aspectos, Curitiba vem conseguindo resultados melhores do que pequenas cidades européias que têm grandes programas de sustentabilidade, o que faz com que sirva de exemplo para dirigentes de várias cidades ao redor do mundo que vem até a capital paranaense em busca de idéias para projetos sustentáveis.
Para determinar quais as cidades estavam qualificadas para o grupo, chamado Centros de Sustentabilidade Global (GSCs), o Instituto Ethisphere considerou fatores como a economia e a população. As cidades devem ter mais de 600 mil habitantes. Atividades culturais, universidades e o reconhecimento internacional também foram levados em conta.

A matéria completa pode ser lida no endereço eletrônico:
http://ethisphere.com/2020-global-sustainability-centers/

Postado por Elizabeth Santos

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

MMA lança Livro Vermelho das espécies em extinção

MMA lança Livro Vermelho das espécies em extinção
Publicação organizada pelo Ministério divulga, pela primeira vez, uma única lista com todos os animais que o governo brasileiro reconhece como ameaçados de desaparecerem da natureza. São 627 espécies, a maior parte habita a Mata Atlântica, bioma brasileiro mais devastado. E, desta vez, os peixes também estão incluídos

Por Roberta Ávila

O Livro Vermelho do MMA - Ministério do Meio Ambiente lista - em mais de mil e quatrocentas páginas, distribuídas em dois volumes - dados sobre a biologia e a distribuição geográfica das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. São 627 espécies: 130 invertebrados terrestres, 16 anfíbios, 20 répteis, 160 aves, 69 mamíferos, 78 invertebrados aquáticos e 154 peixes. E esta é a grande novidade da lista: agora os peixes estão incluídos. Elaborado a partir das Listas Nacionais Oficiais de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, o livro reúne, pela primeira vez, em uma única obra, todas as espécies que o governo brasileiro reconhece que podem desaparecer da Terra.O MMA lança o livro para alertar a sociedade sobre o aumento do número de espécies que correm o risco de desaparecer. Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, quer que todas unidades de conservação tenham um exemplar e ainda analisa com Fernando Haddad, Ministro da Educação, a possibilidade de distribuir o guia nas escolas públicas também. O mapeamento das condições de vida desses animais também será útil para estabelecer quais são as principais ameaças e quais as melhores estratégias de conservação. O livro constata, por exemplo, que a Mata Atlântica é o bioma com o maior número de espécies ameaçadas, logo a preservação das regiões de mata que restam se faz necessária para impedir o fim destas e de outras espécies do local. Depois da Mata Atlântica, os biomas mais afetados são o Cerrado, a Zona Costeira e a Zona Marítima. Para reverter esse quadro, Minc afirmou que é necessário criar corredores de proteção, combatendo o tráfico e fazendo campanhas nas escolasA primeira lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção foi feita em 1968 e somava 44 espécies. Mais informações podem ser encontradas no site do MMA, no espaço especial sobre a Fauna Ameçada.
O Livro Vermelho do
MMA - Ministério do Meio Ambiente lista - em mais de mil e quatrocentas páginas, distribuídas em dois volumes - dados sobre a biologia e a distribuição geográfica das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. São 627 espécies: 130 invertebrados terrestres, 16 anfíbios, 20 répteis, 160 aves, 69 mamíferos, 78 invertebrados aquáticos e 154 peixes. E esta é a grande novidade da lista: agora os peixes estão incluídos. Elaborado a partir das Listas Nacionais Oficiais de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, o livro reúne, pela primeira vez, em uma única obra, todas as espécies que o governo brasileiro reconhece que podem desaparecer da Terra.O MMA lança o livro para alertar a sociedade sobre o aumento do número de espécies que correm o risco de desaparecer. Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, quer que todas unidades de conservação tenham um exemplar e ainda analisa com Fernando Haddad, Ministro da Educação, a possibilidade de distribuir o guia nas escolas públicas também. O mapeamento das condições de vida desses animais também será útil para estabelecer quais são as principais ameaças e quais as melhores estratégias de conservação. O livro constata, por exemplo, que a Mata Atlântica é o bioma com o maior número de espécies ameaçadas, logo a preservação das regiões de mata que restam se faz necessária para impedir o fim destas e de outras espécies do local. Depois da Mata Atlântica, os biomas mais afetados são o Cerrado, a Zona Costeira e a Zona Marítima. Para reverter esse quadro, Minc afirmou que é necessário criar corredores de proteção, combatendo o tráfico e fazendo campanhas nas escolasA primeira lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção foi feita em 1968 e somava 44 espécies. Mais informações podem ser encontradas no site do MMA, no espaço especial sobre a Fauna Ameçada.

Acesso em: 21 nov. 2008.
Enviada por: Manuela Storti Pinto.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

11/11/2008 - 10h44
Brasil pode liderar futuro de energia limpa, diz professor de Yale
ALESSANDRA CORREA
da BBC Brasil em São Paulo

O Brasil tem potencial para assumir a liderança global no setor de energia limpa mas, para isso, precisa se comprometer com a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa em seu próprio território, disse à BBC Brasil o diretor do Centro de Leis e Políticas Ambientais da Universidade de Yale, Daniel Esty.

"O Brasil tem a oportunidade de ser um dos países líderes à medida que o mundo se encaminha para um futuro de energia limpa", disse Esty, em entrevista à BBC Brasil.

"O país já tem uma posição muito forte em etanol à base de cana-de-açúcar e também pode ser capaz de liderar o caminho em direção a outros biocombustíveis de segunda geração. E, de modo mais geral, o Brasil tem o potencial de liderar em várias tecnologias de energia limpa", afirmou.

No entanto, segundo o professor de Yale, o Brasil só vai exercer essa liderança se mostrar comprometimento em seu próprio território.

"Creio que o desafio real é ver o Brasil realmente empenhado no compromisso global de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. No momento, o Brasil não está comprometido com reduções obrigatórias de emissões em seu próprio território", disse.

"E se quiser ser parte da liderança que vai nos levar a um futuro de energia limpa, o Brasil terá de mostrar liderança na negociação de um acordo sobre mudanças climáticas pós-Kyoto", afirmou, referindo-se ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Crise econômica

Considerado um dos maiores especialistas em negócios e meio ambiente, Esty é o criador do Índice de Sustentabilidade Ambiental, que classifica os países de acordo com indicadores como saúde do ecossistema, estresse populacional e capacidade institucional.

Ele está no Brasil para lançar seu novo livro, "O Verde Que Vale Ouro", escrito em parceria com Andrew Winston, que aborda como as empresas podem usar os desafios ambientais como forma de obter vantagens competitivas.

De acordo com Esty, para obter sucesso no combate às mudanças climáticas, é fundamental envolver o setor privado.

Segundo o pesquisador, a atual crise econômica mundial pode ser uma oportunidade para países e empresas investirem no combate às mudanças climáticas.

"Acho que (com a crise) haverá algum tipo de distração, com outros temas entrando na pauta, à medida que os políticos focam sua atenção na recuperação econômica", disse Esty.

"Mas também creio que há uma oportunidade aqui, especialmente para a comunidade empresarial, na qual várias das medidas que deveriam ser tomadas para melhorar a situação ambiental também podem contribuir para melhorar a situação econômica."

Eficiência energética

Entre essas medidas, ele cita o investimento em eficiência energética, que permite uma diminuição de custos e, conseqüentemente, aumento de lucratividade, e ao mesmo tempo reduz as emissões de gases causadores do efeito estufa.

"A lógica de se investir em eficiência energética é ainda mais forte durante um período de crise", disse. "O retorno de investimentos em eficiência energética tende a ser alto e mais atraente que outras alternativas."

Para o especialista, o investimento em energia limpa também pode ser usado pelos governos como uma das estratégias para levantar suas economias.

"Colocar novos recursos em energias alternativas faz sentido como uma maneira de assegurar que os investimentos do setor público na recuperação econômica tragam ganhos no longo prazo", disse.

Segundo Esty, nas economias modernas já há um distanciamento entre crescimento econômico e emissões de gases, mas isso depende de políticas bem-estruturadas, boa regulação e incentivos para as empresas.

"O Brasil tem o ponto de partida para um programa regulatório bem-sucedido. Mas é preciso fazer mais, para aperfeiçoar a estratégia regulatória e criar incentivos fortes para uma mudança de comportamento. Um elemento seria a melhor aplicação da lei", disse.

Obama

Esty foi um dos principais consultores da campanha do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no setor de energia.

Segundo ele, o novo presidente americano traz a promessa de "mudanças dramáticas" em vários setores, entre eles o ambiental.

"Espero que o novo governo assuma um papel de liderança na negociação do acordo pós-Kyoto, que tem de ser solucionado no próximo ano", disse.

O combate ao aquecimento global deve ser um dos desafios do novo governo americano, e Obama já disse que quer reduzir a emissão de gases em 80% até 2050.

"Acho que o presidente Obama vai se comprometer com um futuro de energia limpa, com um desejo real de que os Estados Unidos desempenhem um papel de liderança no desenvolvimento de energias alternativas", afirmou Esty.

"Eu espero uma real liderança na questão ambiental, o que não ocorreu nos últimos oito anos."
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u466420.shtml>. Acesso em: 18 nov. 2008.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Maldivas podem sumir por causa do aquecimento global

11/11/08 - 08h14 - Atualizado em 11/11/08 - 08h17

Maldivas podem sumir por causa do aquecimento global

Imagine uma população inteira ter de se mudar - de país e de território. Guerra? Fome? Não. A ameaça vem do tal aquecimento global.

Pedro Bassan
Pequim

É um dia histórico na Ilha da Fantasia. O sonho dos 300 mil habitantes se tornou realidade. Após 30 anos de ditadura, o povo das Ilhas Maldivas festeja o primeiro presidente eleito da história do país.
Mohamed Nasheed tomou posse hoje. O novo líder chega ao poder com uma terrível missão: preparar a população para dizer adeus à terra em que vive. As 1,2 mil ilhas que formam o arquipélago estão desaparecendo.

Algumas das praias mais brancas do planeta estão sendo engolidas pelas águas do Oceano Índico. Male, a capital do país, fica apenas a um metro de altitude. Segundo a ONU, o nível do mar deve subir cerca de 60 centímetros no próximo século.

Assim, os maldivios estão ameaçados de se tornar um povo sem país. Nenhum governante na história da humanidade enfrentou um problema assim.

O presidente Nasheed tem uma solução surpreendente: quer comprar um novo território para seu povo. Uma parte do dinheiro que os turistas deixam nas Maldivas seria usada para criar um fundo destinado à compra de terras.

A Terra Prometida ainda não foi escolhida, mas deve ficar em algum lugar da índia ou do Sri Lanka, países com mais semelhança cultural com as Maldivas.

Governar um dos dez menores países do mundo com um problema gigante. A tarefa do novo presidente é impedir que os futuros habitantes das Maldivas se transformem em refugiados ambientais. A Terra está ameaçada de ter um país a menos. O país com a maior concentração de beleza por metro quadrado do planeta.
Assista o vídeo aqui:

Disponível em: <http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL857432-16020,00-MALDIVAS+PODEM+SUMIR+POR+CAUSA+DO+AQUECIMENTO+GLOBAL.html>. Acesso em: 11 nov. 2008.

Postado por Elizabeth Santos

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Teor de enxofre no diesel

---------- Forwarded message ----------
From: CONAMA <conama@mma.gov.br>
Date: 2008/11/4
Subject: Esclarecimento do Ministro Carlos Minc sobre a redução do teor de enxofre no diesel
To: CONAMA <conama@mma.gov.br>

Esclarecimento do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, sobre a redução do teor de enxofre no diesel
1. O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) aprovou, em 2002, uma resolução determinando que em 2009 os novos veículos a diesel (ônibus e caminhões) deveriam ter emissão equivalente à gerada por motores tipo Euro 4 e diesel S-50 (com 50 ppm ? partes por milhão de enxofre).
2. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) atrasou em quatro anos a especificação necessária do S-50; a Anfavea (fabricantes de veículos) sequer começou a testar e preparar o euro 4 alegando o atraso da ANP; a Petrobras investiu 4 bilhões de dólares em 12 refinarias para dessulfurizar (retirar o enxofre) o diesel, mas está atrasada e só produzirá a quantidade necessária do S-50 em 2010; o governo federal e o Conama, neste período, não tomaram as medidas enérgicas necessárias para evitar o descumprimento da resolução.
3. Ainda no 1º mês de nossa gestão, reunimos todas as partes, cinco ministérios, ANP, Anfavea, Petrobras, Sindicom (Sindicato de Distribuidoras de Combustível), governos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo e Ministério Público Federal. Todos reconheceram que foi a 1ª vez, em cinco anos, que o governo federal tomou a iniciativa de reunir todas as partes para avaliar e encaminhar a questão. Realizamos três reuniões, incluindo sociedade civil e os secretários estaduais de Meio Ambiente do Rio de Janeiro e de Minas Gerais e do Município de São Paulo e o MP. Encomendamos a uma fundação independente uma metodologia de cálculo para avaliar, por ano e por poluente, as conseqüências para a saúde da população que seriam geradas pelo atraso do cumprimento da resolução 315.
4. Sofremos fortes pressões das áreas econômicas e governamentais envolvidas para adiar, alterar ou criar exceções técnicas para a resolução 315/02. Um dos argumentos era que a resolução dava 36 meses à Anfavea para disponibilizar os motores a partir da especificação da ANP, que atrasou quatro anos. Não aceitamos as pressões e os argumentos e decidimos manter a resolução e exigir o seu cumprimento. Anunciamos que nenhum caminhão ou ônibus novo a diesel sairia das fábricas em 2009 sem atender a resolução ou obter acordo judicial com o MP Federal.
5. Além disso, decidimos criar uma nova etapa do Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores), instituindo um padrão para 2012 equivalente ao Euro 5 e ao S-10 , cinco vezes menos poluidor do que o S-50. Argumentamos que o atraso intolerável não poderia justificar um recuo e sim um salto adiante, para nos igualar com o padrão europeu vigente, já que os nossos pulmões são idênticos. Apresentamos essa resolução ao Conama, que a aprovou, por unanimidade, em 30 de outubro último, incorporando emendas dos ambientalistas, do MP Federal e do setor produtivo. Foi uma vitória importante, pois sequer havia previsão para essa nova etapa.
6. Estamos elaborando um Plano Nacional de Qualidade do Ar, com medidas muito além do diesel, envolvendo vistoria veicular obrigatória das emissões, como a que existe há nove anos no Estado do Rio de Janeiro, por conta de uma lei estadual de nossa autoria. Até agora, o Rio é o único estado com esse procedimento, que comprovadamente reduz as emissões. Um veículo desregulado emite até 50% a mais de poluentes. O plano incluirá ainda padrões mais rigorosos para emissões industriais, campanhas nacionais para regulagem de motores, aumento da participação do biodiesel (no diesel), integração de transportes e incremento do transporte sobre trilhos.
7. Todos saudaram estas três medidas: manter a resolução 315, criar a nova etapa com o S-10 e iniciar o Plano de Qualidade do Ar. O secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo Xico Graziano, e o secretário municipal de Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge, escreveram matérias nos jornais apoiando essas três decisões do MMA.
8. Quanto ao período referente a 2009 e 2011, a decisão ficou exclusivamente por conta do MP Federal de São Paulo. A procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins ouviu durante dois meses as partes responsáveis, criou um núcleo técnico de alto nível com profissionais da Cetesb, do Ibama, de fundações, e realizou mais de 20 reuniões de avaliação técnica das emissões e das medidas compensatórias apresentadas pela Petrobras e pela Anafavea, incluindo a importação de milhões de litros de diesel S-50, a regulagem de dezenas de milhares de ônibus e caminhões e a própria antecipação da fase do S-10, sendo que apenas esta medida representará para a Petrobras um gasto suplementar de 2 bilhões de dólares.
9. A Anfavea sequer havia iniciado a produção de novos motores. Quando assumimos o MMA, há cinco meses, todos já sabiam que a resolução era impossível de se cumprir, devido às omissões de vários anos. O que se avizinhava, portanto, era um desastre ambiental, institucional e social. O Conama seria desrespeitado, o ambiente agredido por emissões sem qualquer compensação e, face à decisão firme do MMA, a não assinatura do TAC implicaria na não-produção de 200 mil novos ônibus e caminhões a diesel, no fechamento de oito fábricas e na demissão de 10 mil trabalhadores.
10. O TAC patrocinado pelo MP Federal de São Paulo foi assinado pela Cetesb e pelo governo de São Paulo, que foram (também) os autores da ação civil pública que colocou essa questão na Justiça Federal. Eles exigiram uma série de condições suplementares, laboratórios de última geração de análise e controle do diesel, inexistentes no país, e a ampliação das regulagens de outros milhares de ônibus e caminhões pela Petrobras e Anfavea. Como seus técnicos acompanharam todas as rodadas e os cálculos, supõe-se que ficaram convencidos de que as medidas ? incluindo o fornecimento de S-50 já em 2009 às regiões metropolitanas do país e às frotas cativas de ônibus ? compensavam as emissões resultantes do descumprimento da resolução 315, caso contrário não teriam assinado o TAC. O Ibama exigiu também um cronograma para a substituição definitiva do S-2000 e do S-1800 no interior, assim como prazos definidos para a substituição do S-500 em todas as regiões metropolitanas.
11. Claro que não comemoramos. O ideal era a resolução ter sido cumprida, o que foi inviabilizado em cinco anos. Do ponto em que enfrentamos o problema, há cinco meses, as decisões sob nossa responsabilidade foram todas transparentes e elogiadas. Não cedemos à postergação da resolução, avançamos com o S-10 e iniciamos o Plano de Qualidade do Ar. A decisão da Procuradoria da República de São Paulo é de sua inteira responsabilidade e das partes que a assinaram. Há os que apostaram no impasse, inclusive por motivação política, e levantaram alternativas fantasiosas, como a imediata importação de todo o diesel hoje consumido, fechando várias refinarias, e a importação de 200 mil ônibus e caminhões. O MP Federal, os governos do Rio, Minas e São Paulo, a Anfavea, o governo federal e a Petrobras não aceitaram essa possibilidade, o que conduziria à não assinatura do TAC e à colocação do assunto na Justiça, sabe-se lá por quantos anos.
12. Avaliamos que, dentro da adversidade, obtivemos o melhor resultado entre os possíveis, já que o integral cumprimento da resolução já havia sido anteriormente inviabilizado. Vamos agora avançar para fiscalizar e cumprir o TAC , idem para a nova resolução e a vistoria obrigatória nos estados. Além do que, ampliar a participação do etanol e do biodiesel na matriz energética, num crescimento médio de 11% ao ano. Em defesa do clima e dos pulmões.
CARLOS MINC
Ministro do Meio Ambiente
Brasília, 3 de novembro de 2008
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Preço do atraso
Acordo para redução de enxofre no diesel é homologado
O Ministério Público Federal homologou na Justiça Federal, nesta quarta-feira (5/10) o acordo firmado com órgãos ambientais federais e estaduais e representantes das produtoras de combustíveis e de automóveis no país para a redução da emissão de poluentes na queima do diesel. O documento, validado pelo juiz federal José Carlos Motta, da 19ª Vara Federal Cível de São Paulo, estabeleceu novo cronograma de substituição de misturas mais poluentes — com maior índice de partículas de enxofre — por compostos mais limpos. Segundo o MP, o Programa de Controle de Emissão de Poluentes Veiculares (Proconve) já deveria ter entrado em sua sexta fase, na qual os veículos novos consumiriam somente o chamado diesel S-50 (com cinqüenta partes de enxofre por milhão), conforme previsto na Resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Hoje, o diesel S-2000, o mais poluente do país, com 2 mil partes de enxofre por milhão, ainda é distribuído. O novo cronograma estabelece mudanças a partir do ano que vem. A partir de janeiro, o diesel S-2000 deixará de ser comercializado no interior do país e dará lugar ao S-1800. As substituições ocorrerão até 2014, quando somente o S-500 será permitido. Para os veículos novos, porém, a redução será mais radical: até 2013, deverão usar somente o diesel da classe S-10, o menos poluente no mundo atualmente. Frotas de ônibus para o transporte coletivo terão exigências diferentes. Já em janeiro de 2009 os veículos de São Paulo e Rio de Janeiro terão de usar o diesel S-50. Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Santos(SP), Campinas(SP) e São José dos Campos(SP) se submeterão às regras em datas diferentes, entre o fim de 2009 e o começo de 2011. Belém, Fortaleza e Recife também terão de se adequar. O MP espera reduzir em até 90% as partículas emitidas pelos ônibus, que também deverão ter instalados equipamentos como os “retrofit”, que potencializam a diminuição. As misturas também serão alteradas antecipadamente. Em 2009, o percentual de biodiesel acrescido ao combustível sobe para 5%. A mudança ocorreria somente em 2013, mas o MP resolveu adiantar a obrigação devido ao descumprimento das condições iniciais. Segundo Ana Cristina Bandeira Lins, procuradora da República que atuou na negociação, o acordo não isenta os envolvidos de responsabilidade pela desobediência à resolução do Conama. “Os motivos que levaram a não implementação da resolução estão sendo investigados rigorosamente e poderão levar a sanções cíveis e penais”, disse. Estados e municípios também não escapam da investigação, já que muitos não implementaram a inspeção veicular prevista pelo Proconve há mais de 15 anos. Segundo a procuradora, 80% das partículas são emitidas por veículos fabricados antes de 2000, que correspondem a 46% da frota. “Se todos estivessem regulados corretamente, a poluição seria bem menor”, afirmou. Fazem parte do acordo o Ibama, a Agência Nacional do Petróleo, a Petrobras, o governo paulista, a Cetesb (ligada à Secretaria de Meio Ambiente paulista), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e 17 montadoras como Ford, Fiat, General Motors, Volkswagen Caminhões, Mercedes-Benz, Scania, Volvo, Iveco, Agralle, Toyota, Mitsubishi, Nissan, Renault, Peugeot-Citroen e Caoa. Para as próximas fases do Proconve, os signatários deverão providenciar um financiamento para a construção de um laboratório público na Cetesb, que fará testes de emissão de poluentes e desenvolverá motores mais limpos.
Veja aqui a íntegra do acordo.
Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2008
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Substituição nos postos
Justiça manda Petrobras fornecer diesel menos poluente
A Petrobras está obrigada a fornecer diesel S-50, menos poluente, em quantidade suficiente ao abastecimento dos veículos novos que entrarem no mercado a partir de 1º de janeiro de 2009, em pelo menos uma bomba em cada posto de abastecimento. A decisão, que tem caráter liminar, é do juiz José Carlos Motta, da 19ª Vara Federal de São Paulo e vale para todo o país. A Justiça também determinou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) regulamente a distribuição do diesel S-50 no prazo de 90 dias visando garantir o fornecimento do combustível menos poluente em todo território nacional, até a integral substituição dos demais tipos de diesel atualmente comercializados. Na ação original, o pedido era de que o diesel S-50 estivesse disponível em pelo menos uma bomba para cada posto de abastecimento do estado de São Paulo. O Ministério Público Federal aditou a ação e solicitou que o pedido fosse estendido a todo país e que todo o diesel fosse substituído pelo combustível menos poluente, como prevê a Resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O MPF de São Paulo vai recorrer da decisão e pedir que a liminar que obriga a Petrobras a fornecer o combustível menos poluente apenas para veículos novos seja estendida para todos os veículos automotores a diesel. Segundo o órgão ministerial, o diesel S-50 traz benefícios ambientais mesmo em veículos mais antigos. A Resolução 315 do Conama não traz nenhuma distinção entre veículos novos e antigos. O juiz federal José Carlos Motta ressaltou que, embora a implementação das regras da resolução sejam complexas e demandem tecnologias de motores apropriadas, é injustificável o atraso no cumprimento da legislação específica. Segundo o juiz, desde 2002, quando a resolução foi editada, o combustível já era utilizado em países europeus. Na liminar, o juiz observou que tanto a Petrobras quanto as montadoras têm conhecimentos tecnológicos que poderiam ser facilmente adaptados às condições brasileiras. “Nas atuais circunstâncias, soa manifestamente desarrazoado supor que os avanços tecnológicos, especialmente os que recaem sobre veículos automotores, sejam desconhecidos a ponto de exigir das montadoras lapso temporal excessivamente elástico para adaptação dos carros nacionais”, afirmou.
Revista Consultor Jurídico, 16 de setembro de 2008
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Combustível limpo
Diesel menos poluente deve ter preço competitivo
O Diesel 50S, que é menos poluente, deve ser distribuído com um preço que não o torne economicamente inviável. O esclarecimento é do juiz José Carlos Motta, da 19ª Vara Cível Federal de São Paulo, no Embargo de Declaração em que o Estado de São Paulo sustentava que a decisão liminar obrigando a Petrobras a fornecer diesel mais limpo não esclarecia qual preço deveria ser praticado pela distribuidora. No Embargo, assinado na terça-feira (16/9), o juiz afirma “que o S-50 deverá ser fornecido pela Petrobras com preço suficientemente próximo ao do S-500 e do S-2000 convencionais, devendo a ANP regulamentar a distribuição com a observância desse aspecto”. Na segunda-feira (15/9), o juiz obrigou a Petrobras a fornecer o diesel menos poluente, em quantidade suficiente ao abastecimento dos veículos novos que entrarem no mercado a partir de 1º de janeiro de 2009, em pelo menos uma bomba em cada posto de abastecimento. A Justiça também determinou que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) regulamente a distribuição do diesel S-50 no prazo de 90 dias visando garantir o fornecimento do combustível menos poluente em todo território nacional, até a integral substituição dos demais tipos de diesel atualmente comercializados. Na ação original, o pedido era o de que o diesel S-50 estivesse disponível em pelo menos uma bomba para cada posto de abastecimento do estado de São Paulo. O Ministério Público Federal aditou a ação e solicitou que o pedido fosse estendido a todo país e que todo o diesel fosse substituído pelo combustível menos poluente, como prevê a Resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O MPF de São Paulo vai recorrer da decisão e pedir que a liminar que obriga a Petrobras a fornecer o combustível menos poluente apenas para veículos novos seja estendida para todos os veículos automotores a diesel. Motta ressaltou que, embora a implementação das regras da resolução sejam complexas e demandem tecnologias de motores apropriadas, é injustificável o atraso no cumprimento da legislação específica. Segundo o juiz, desde 2002, quando a resolução foi editada, o combustível já era utilizado em países europeus. Na liminar, o juiz observou que tanto a Petrobras quanto as montadoras têm conhecimentos tecnológicos que poderiam ser facilmente adaptados às condições brasileiras. “Nas atuais circunstâncias, soa manifestamente desarrazoado supor que os avanços tecnológicos, especialmente os que recaem sobre veículos automotores, sejam desconhecidos a ponto de exigir das montadoras lapso temporal excessivamente elástico para adaptação dos carros nacionais”, afirmou.
Processo 2007.61.00.034636-2
Revista Consultor Jurídico, 17 de setembro de 2008

Intimidade ecológica

Intimidade ecológica

Todos nós trazemos no corpo as marcas de uma profunda identidade com o planeta. São marcas profundas, viscerais, que não podem ser apagadas. A primeira delas é a água. O mais fundamental dos elementos está presente em nosso corpo na mesma proporção em que aparece no globo terrestre. As lágrimas que derramamos de dor ou de alegria tem o sabor dos oceanos.
A água do mar tem quase a mesma consistência do soro fisiológico. Em nosso sangue carregamos a terra, pulverizada nos sais minerais, que vitalizam tecidos e órgãos. Ferro, cálcio, manganês, zinco, que jazem nas profundezas do solo, correm pelas nossas veias.
Desde o primeiro choro, quando inauguramos as vias respiratórias e inalamos pela primeira vez o ar que enche os pulmões, participamos de um grande espetáculo da natureza, que revela em pequenos detalhes, a grandeza do universo. Nossa principal fonte de energia é o ar. Podemos suportar dias sem comer ou beber. Mas não podemos ficar tanto tempo sem ar. Enchemos os pulmões de oxigênio e devolvemos gás carbônico para a atmosfera. Esse gás é absorvido pelas espécies vegetais, que através da fotossíntese, devolvem generosamente, oxigênio. Como se vê, interagimos intensamente com o meio natural. Nos confundimos com esse meio ambiente. Somos parte dele e ele de nós.
Neste início de terceiro milênio, quando a humanidade estabelece novos recordes de destruição dos recursos naturais, perdemos o contato com a Mãe Terra e, não por acaso, com nós mesmos. Na agitação da vida moderna, vivemos encubados em casas e apartamentos, elevadores, escritórios, ônibus e carros. O tempo do relógio se sobrepõe ao tempo natural, em que cada coisa acontece na hora certa, sem angústia ou ansiedade.
Esquecemos de nos conectar ao que empresta sentido à vida, que é a própria vida em essência, com um imenso repertório de ensinamentos. Assim, deixamos de olhar para o céu e perceber como está o tempo, perder alguns segundos admirando o esplendor de uma manhã ensolarada, o prazer do vento que desgrenha os cabelos trazendo alívio e frescor, o horizonte sem limites do mar azul, a imponência das montanhas, o brilho cintilante de uma estrela que atravessa milhões de quilômetros na velocidade da luz, e que depois de driblar as nuvens e a poluição, aparece no céu sem que percebamos seu esforço heróico.
Mergulhados em afazeres mais urgentes, nos afastamos de nossa essência. Será coincidência que o avanço da destruição da natureza se dá na mesma velocidade com que registramos o crescimento das estatísticas de depressão e suicídio? É preciso refazer os elos e perceber com humildade que as pequenas coisas da vida encerram as grandes verdades da existência. O mundo está em nós e nós no mundo. O meio ambiente começa no meio da gente.
André Trigueiro é jornalista com Pós-graduação em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ, Professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, autor do livro "Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em transformação" (Editora Globo, 2005), Coordenador Editorial e um dos autores do livro "Meio Ambiente no século XXI", (Editora Sextante, 2003).
Acesso em: 06 nov. 2008.
Postado por Eliseu Raphael Venturi.

domingo, 2 de novembro de 2008

Bate-papo sobre jornalismo ambiental tem transmissão ao vivo

Bate-papo sobre jornalismo ambiental tem transmissão ao vivo

Mesa-redonda, dia 4 de novembro, marca o lançamento da versão em português do livro Green Ink e poderá ser acompanhada ao vivo pela internet. Os convidados para o debate são os jornalistas Liana John, Claudio Savaget e Rulian Maftun.
Três profissionais com grande experiência - Liana John, Claudio Savaget e Rulian Maftun - estarão reunidos para debater o jornalismo ambiental no lançamento da versão em português do livro Green Ink, uma introdução ao jornalismo ambiental. O evento acontece no dia 4 de novembro, em Curitiba (PR), a partir das 19h30min, e poderá ser acompanhado ao vivo em todo o Brasil por meio do site da Fundação O Boticário.O livro é de autoria do autor estadunidense Michael Frome e foi lançado originalmente em 1996. Mesmo após mais de uma década de sua publicação, os temas abordados no livro continuam atuais e têm grande importância para a comunicação jornalística em um cenário mundial de mudanças climáticas.Liana John, da Revista Terra da Gente, e Claudio Savaget, do Globo Ecologia, têm mais de 20 anos de experiência em jornalismo ambiental e falarão para cerca de 90 acadêmicos de jornalismo e de outras áreas afins. O evento será mediado pelo também jornalista Rulian Maftun, do Grupo Lúmen de Comunicação.
Para ouvir a transmissão, basta acessar http://www.fundacaoboticario.org.br/ no dia 4 de novembro, às 19h30min, e clicar no banner do livro “Green Ink”.
“É extremamente importante para os estudantes, especialmente de jornalismo, ter contato com pessoas que trabalham nesse campo. Em muitas universidades, falta contato com quem “está na rua”. É privilégio passar experiências a eles, e eles sentem vontade de conhecer nosso dia-a-dia e receber informações para nortear sua carreira. Isso faltou para mim quando eu era estudante e é parte do meu dever como jornalista”, comenta Liana.
Novos desafios
Liana e Cláudio trabalham com jornalismo ambiental há mais de 20 anos e acompanharam de perto muitas mudanças na área. “No início, o foco eram coberturas sobre poluição, acidentes químicos, contaminação de água, notícias negativas. Hoje, temos um espectro muito maior de temas, conseguimos dar boas notícias e informações para mobilizar a sociedade em torno de soluções e não em torno de problemas”, diz Liana..
Ao longo dos anos, além da temática, aumentou o espaço destinado para as notícias de meio ambiente na mídia. “A partir da ECO-92, o jornalismo ambiental alavancou, embora, na imprensa, tenha havido um refluxo logo após o evento. Mas, foi após o anúncio do IPCC sobre as mudanças climáticas que a consciência ambiental aumentou muito. As pessoas estão muito mais ligadas a essas questões”, afirma Cláudio.
Apesar dos avanços, ainda há um caminho grande a se percorrido pelo jornalismo ambiental, como no que diz respeito à conservação da biodiversidade. “A riqueza brasileira é muito maior do que é conhecida. Ainda é um assunto com o qual os brasileiros não sabem lidar, não sabem se relacionar com fauna e flora”, ressalta Liana.
Essa visão fragmentada das questões ambientais também está presente na cobertura jornalística, segundo Frome. “O meio ambiente é mostrado como um tema isolado. Muitos jornalistas ainda têm dificuldade em conectar problemas visíveis como o aquecimento global e desastres como Katrina com a destruição de florestas, consumismo, crescimento populacional, corrupção política e ganância corporativa. Os jornalistas pensam que sua responsabilidade termina com a reportagem sobre os fatos, mas isso é apenas o começo”, afirma Frome.
Para superar essas e outras deficiências da cobertura jornalística, Frome defende o “jornalismo ambiental” e não o “jornalismo sobre meio ambiente”. As palavras são parecidas, mas, na prática, há uma grande diferença entre as duas atividades.
Um jeito diferente de fazer jornalismo
Ao longo de sua vida, Frome tem praticado e ensinado um tipo diferente de jornalismo, um ‘advocacy journalism’, isto é, um jornalismo em prol de uma causa, no caso, a ambiental. E o propósito desse jornalismo ambiental é apresentar ao público informações precisas para embasar o processo de tomada de decisão da sociedade sobre as questões ambientais.
A atividade difere do jornalismo tradicional, pois é jogada segundo regras baseadas em uma consciência diferente daquela predominante na sociedade. Em Green Ink, Frome afirma que o jornalismo ambiental “é mais do que uma forma de fazer reportagens e escrever, mas uma forma de viver, de olhar para o mundo e para si próprio. Ele começa com um conceito de serviço social, dá voz à luta e às demandas e se expressa com honestidade, credibilidade e finalidade. Ele quase sempre envolve, de alguma forma, em algum lugar, riscos e sacrifícios”.
Por conseqüência, também há diferenças entre fazer cobertura sobre meio ambiente e fazer jornalismo ambiental. Com relação ao último, é necessário não só saber escrever, mas “aprender sobre o poder da emoção e da imagem”, “pensar no todo, com amplitude, profundidade, perspectiva e sentimento”.
Para isso, os jornalistas ambientais não devem ficar escravos do computador, mas usá-lo e não ser utilizados por ele: Frome o incita a sair a campo, caminhar por trilhas, ver animais e plantas, para entender de modo mais profundo sobre o que estão escrevendo.
SERVIÇO:
Livro: Green Ink – Uma Introdução ao Jornalismo AmbientalAutor: Michael FromeEditora da Universidade Federal do Paraná
À venda a partir de 4 de novembro, no site www.editora.ufpr.br
Evento de lançamento
Onde: Teatro Doutor Botica, no Shopping Estação (Curitiba-PR).
Quando: 4 de novembro, terça-feira, às 19h30Quanto: as inscrições para os estudantes de jornalismo são gratuitas e deverão ser feitas de 20 a 30 de outubro, pelo telefone (41) 3340-2645

Disponível em: <http://internet.boticario.com.br/portal/site/fundacao/template.PAGE/menuitem.5e4e7c3e0f8fa6d9e4e25afce2008a0c/?javax.portlet.tpst=7c146ae444a89a519341d33658be0826&javax.portlet.prp_7c146ae444a89a519341d33658be0826_viewID=MY_PORTAL_VIEW&javax.portlet.begCacheTok=com.vignette.cachetoken&javax.portlet.endCacheTok=com.vignette.cachetoken&Action=MATERIA&AnoSelecionado=2008&CodMateria=90f3ca59d2a3d110VgnVCM1000006f04650aRCRD&Edicao=Edi%E7%E3o+101&ActionAnterior=Action=TITULO;Parametro=Edi%E7%E3o+101>. Acesso em: 2 nov. 2008.

Postado por Elizabeth Santos

sábado, 1 de novembro de 2008

Para WWF, mundo precisará de 'duas Terras' para manter consumo

Para WWF, mundo precisará de 'duas Terras' para manter consumo.

A demanda atual por recursos naturais ultrapassa em quase um terço o que o planeta tem condições de fornecer e, se continuar assim, em cerca de 30 anos o mundo precisará de duas Terras para que seja mantido o estilo de vida de seus habitantes.
Essa é a conclusão da organização WWF no relatório Planeta Vivo 2008, preparado em conjunto com a Zoological Society, de Londres, e o Global Footprint Network.
De acordo com o documento, o atual nível de consumo coloca em risco a futura prosperidade do planeta com impacto no custo de alimentos, água e energia.
"Se a nossa demanda por recursos do planeta continuar a aumentar no mesmo ritmo, até meados dos próximos anos 30 (década entre 2030 e 2040), nós precisaremos do equivalente a dois planetas para manter o nosso estilo de vida", disse o diretor da WWF International, James Leape.
Os ambientalistas afirmam que o planeta está em direção a uma "crise de crédito ecológica".
"Os eventos dos últimos meses têm servido para mostrar que é uma tolice extrema viver além dos nossos meios", disse o presidente internacional da WWF, Emeka Anyaoku.
"A crise financeira global tem sido devastadora, mas não é nada comparado à recessão ecológica que estamos enfrentando", afirmou.
Segundo Anyaoku, as perdas de cerca de US$ 2,8 trilhões sofridas pelas instituições financeiras com a crise - segundo estimativa recente do Banco da Inglaterra - são pequenas perto do equivalente a cerca de US$ 4,5 trilhões em recursos destruídos a cada ano.
'Devedores ecológicos'
O documento afirma que mais de três quartos da população do mundo vivem em países onde os níveis de consumo ultrapassam as condições de renovação ambiental.
Isso faz com que eles sejam "devedores ecológicos", o que significa que estão usando recursos agrícolas, florestais e marítimos que possuem e ainda os de outros países para sustentá-los.
Os países com o maior impacto no planeta são os Estados Unidos e a China, que, juntos, representam cerca de 40% da pegada ecológica do mundo - que mede a quantidade de terra e água necessária para fornecer os recursos utilizados e absorver os resíduos deixados.
Já outros países, como o Brasil, são “países credores ecológicos”, já que "ainda possuem mais recursos ecológicos do que consomem", e “exportam” sua biocapacidade para os devedores.
O relatório, divulgado bianualmente, traz dois indicadores da saúde da Terra. Um deles é o Índice Planeta Vivo, que reflete o estado dos ecossistemas do planeta.
Baseado nas populações mundiais de 1.686 espécies de vertebrados, como peixes, aves, répteis e mamíferos, esse indicador apresentou uma redução de quase 30% em apenas 35 anos.
O outro índice medido no relatório Planeta Vivo é a Pegada Ecológica, que evidencia a extensão e o tipo de demanda humana por recursos naturais e sua pressão sobre os ecossistemas. A média individual mundial é de 2,7 hectares globais por ano.
O índice recomendado no relatório para que a biocapacidade do planeta seja suficiente para garantir uma vida sustentável seria de 2,1 hectares por ano por pessoa. No entanto, a média brasileira por pessoa já supera este patamar e está atualmente em 2,4 hectares por ano.
Disponível em: <http://www.bbc.co.uk:80/portuguese/reporterbbc/story/2008/10/081029_ecocrunch_mp.shtml>. Acesso em: 1 nov. 2008.

Postado por Elizabeth Santos